06 junho 2015

um mar de azul, de céu e de mar...

 Para quem dúvidas do comprimento desta manta de retalhos... 23 metros de comprimento com cerca de 46 metros quadrados. estes dias no estúdio têm sido um enorme desafio... as horas a fio agarrada aos alfinetes e às agulhas, aos inúmeros retalhos azuis que se espalham por tantos outros recantos do estúdio. Se esta manta chegasse à janela, rapidamente chegaria ao Jardim de Santa Bárbara!

 Aqui nasce um Mar de Azul espalhado pelo estúdio.

 Uma manta de retalhos de Céu e de Mar que vai abraçar um cenário especial. Um espaço que espero que se transforme numa experiência mágica para todos.


30 maio 2015

Segue com o olhar o voo livre da andorinha...


 Depois de um dia a acrescentar retalhos azuis a um pedaço de céu e de mar em forma de manta de retalhos, regressava a casa quando encontrei este andorinhão caído na estrada atordoado. Deve ter feito um voo baixo e um carro deve ter batido nele. Encostei o carro, liguei os piscas e saí para o apanhar. Consegui trazê-lo para casa. Veio a viagem toda no meu colo muito quietinho. 

 "Segue com o olhar o voo livre da andorinha" foi a peça que tive a espreitar na minha janela em março sem imaginar eu que algum dia ia ter um verdadeiro na mão, encontrado perto desta mesma janela. Já em casa senti as suas patinhas com fortes unhas que pareciam agulhas a cravar na minha mão para se segurar. O que mais me emocionou foi sentir o bater do seu coração na palma da mão. Agradeço por estes pequenos momentos. Por ter passado naquele lugar, àquela hora. Não sei como vai ser o dia de amanhã mas fico feliz por dadas as circunstâncias, apesar de tudo, ele estar aqui. Há pouco voltei a ir espreitá-lo para ver como estava. Está quentinho, tranquilo. Continuo a sentir o bater do seu coração. Amanhã é outro dia e o meu desejo é ele ser capaz de voar e continuar a sua jornada. 

 Durante a noite fui espreitá-lo por duas vezes. Coloquei o despertador para cedo regressar ao local onde o havia encontrado e tentar perceber se conseguia voar. Depois de uma bela noite de sono e de repousar do susto que apanhou, estaria com outra energia. Eram seis da manhã quando despertei e se o andorinhão passou a noite no chão da gaiola, de manhã encontrei-o mais desperto levantado nas grades. A única coisa que lhe consegui dar foram algumas gotas de água. Catou as penas. Sacudiu-se e percebi que se sentia seguro e estava bem e isso deixou-me feliz. 

 A esta hora a cidade ainda dorme num domingo de manhã. Era a hora perfeita para tentar libertá-lo. Assim sem dar nas vistas e tranquila podia perceber se o andorinhão-preto poderia regressar para junto da sua família. Naquela rua, no céu, já rodopiavam as dezenas de andorinhões atrás dos insectos. O andorinhão na mão olhava o céu com vontade de estar lá bem no alto junto dos outros. Seria uma imagem fantástica segurá-lo com as duas mãos e lançá-lo aos céus, mas continuei com algumas dúvidas em relação a uma das asas e optei por não fazê-lo ou o andorinhão iria sofrer outra queda e ficar ainda mais dorido. As lágrimas vieram-me aos olhos. Regressei a casa e a única coisa que lhe consegui dar foram mais algumas gotas de água. Andei na varanda a tentar apanhar insectos, alguns estavam presos em teias de aranha, mas tive imensas dificuldades em alimentá-lo. Obviamente não se alimentam das mãos dos humanos mas teria de fazer alguma coisa ou esta história poderia acabar aqui e uma tristeza ainda maior me iria encher o peito já apertado com toda esta situação. Pesquisei por centros de recuperação de animais selvagens e encontrei o Centro de Recuperação de Gaia. Contactei-os foram super atenciosos e prestáveis e decidi fazer uma pequena viagem até ao Parque Biológico de Gaia que acabei por visitar e conhecer. Aqui eles saberiam se está apto a voar e seria libertado. No local certo, este andorinhão-preto, com as pessoas com os conhecimentos e os meios adequados para cuidarem dele saberiam quando o poderiam devolver à vida. Fiz o que senti e desejei fazer... 

agora sempre que olhar o céu azul e encontrar andorinhões, vou acreditar que este será um deles.

27 maio 2015

PASSATEMPO no Facebook I São João 2015


 Se gostas das Festividades de São João, este Passatempo no Facebook é para ti. Para te habilitares a ganhar uma pregadeira menina manjerico tens de:
(1) colocar "gosto" na página de facebook de Dedal no Dedo; (2) colocar "gosto" no post do passatempo; (3) partilhar o post do passatempo no teu mural de forma pública, identificando 3 amigos; (4) e por fim enviar uma mensagem com o teu nome e contacto de email.

 Participa e quem sabe vais receber em casa uma pregadeira menina manjerico para ir passear contigo nas Festividades de São João, celebradas em qualquer cidade do país. Se fores o vencedor(a), comprometes-te a enviar e partilhar fotografias divertidas com esta pregadeira. PARTICIPA!

olhando o céu estrelado...


 saber que algumas criações de pano habitam os quartos dos mais pequeninos, alguns bem pequeninos porque acabaram de nascer, é simplesmente mágico. sentir que estas pequenas e singelas criações de pano, estas personagens de olhares sonhadores vão acompanhar por muitos anos os olhares curiosos e também sonhadores destes meninos e meninas que chegaram para nos encantar.

[peça. mobile - a menina, as estrelas e o seu gato 2015]

19 maio 2015

guardadas em caixa de sapatos...


 em 2013 comecei a explorar alguns pedaços de tecido que fui guardando em caixas de sapatos durante todos estes anos.
 até então os meus dias no estúdio eram essencialmente passados a brincar com os tecidos e outros materiais a fim de criar, entre outras peças, as minhas personagens de pano contadoras de histórias. esses retalhos de tecido não poderiam simplesmente ir para o caixote do lixo. as cores, as formas, a sua existência poderia ser estendida a algo extraordinário. na altura não sabia bem o que iria criar com todos eles. que resultado teriam no trabalho que iria desenvolver com eles. a única certeza era que tinham de ser guardados porque um dia ganhariam uma nova vida. nestes últimos tempos tenho tentado abrir cada uma dessas caixas de sapatos. com esses retalhos espalhados sobre a mesa tenho descoberto novos caminhos e possibilidades.

08 maio 2015

a primeira boneca de pano...


 em 2005 chamou-se Dedal no Dedo a este projecto de Design e Criação de Personagens de pano. assim foi encarada esta ideia como um projecto sério de vida mas a sua origem remonta provavelmente a 1986. esta boneca de pano terá sido, quem sabe, a primeira personagem criada. tenho pena de não saber exactamente a data, mas pelo que dizem deve ter sido já no tempo da escola primária e foi resultado das brincadeiras em casa. foi oferecida à tia que a guardou todos estes anos. agora sou eu que cuido dela.  

[peça. boneca de pano by Vânia Kosta I colecção particular]

07 maio 2015

AGRICULTURA LUSITANA I Semeando a terra nas margens do Rio Zêzere


  Agricultura Lusitana  o tema central da participação das Aldeia do Xisto, representando Portugal como país convidado na Eunique 2015. Um projecto que envolveu diversos artesãos/criadores/autores e que até dia 10 de Maio, apresentará todos os artefactos desenvolvidos ao longo destes meses de pesquisa e concepção. Artefactos significativos de uma identidade, de uma memória, de valores de um território e da alma Lusitana. 

 A convite das Aldeias do Xisto integrei este projecto. A peça que desenvolvi, intitulada "Semeando a Terra nas margens do Rio Zêzere", representa esse território que pode ser abraçado sobre a forma de almofada. Um território ao qual, mesmo não sendo a minha terra natal, estou afectivamente ligada. 


06 maio 2015

a luz que habita este lugar.


 além da gigantesca Costela de Adão que continua a crescer no meu estúdio, outras plantas foram chegando e habitando este lugar. todas procuram a extraordinária luz que entra todos os dias por estas belíssimas janelas.

05 maio 2015

pequenos retalhos...



 ao longo destes anos os têxteis foram assumindo um papel importante nas formas que fui criando. tentei aproveitar quase tudo. muito pouco deitei fora. dei comigo muitas vezes a catar o próprio lixo do estúdio. porque além dos retalhos e tecidos que me davam, fui juntando os tecidos da avó, os retalhos da avó e mesmo aqueles retalhos minúsculos que sobravam desses outros retalhos que trabalhava. supostamente mal serviam para embrulhar um dedal ou fazer umas carapuças para o pardal, mas nunca, nenhum deles, fui capaz de deitar fora. 
 sem saber ao certo na altura para que iriam servir, apenas os guardei porque me custava olhar para eles sem conseguir ver outro caminho possível. e algo me dizia que um dia ia descobrir o que fazer. ao longo destes anos espalharam-se pelo chão muitos fragmentos de tecidos e linhas. e fui juntando em sacos de papel e em caixas de sapatos. em cada ano que passava foi crescendo a quantidade de fragmentos. em cada ano que passava perguntava, “Quando irei eu descobrir o que fazer com eles?”. 
 há cerca de 2 anos, no meio de arrumações no estúdio, re-descobri o conteúdo de alguns desses sacos e caixas de sapatos. espalhei esses fragmentos sobre a mesa e comecei a olhar para eles com outro olhar. esses momentos mágicos de criação não podemos dizer quando vão começar exactamente, mas percebemos o instante em que tudo começa a acontecer. e é tão bom quando somos capazes de nos surpreender. aguardo a chegada desse dia e pelo menos sei que vou sorrir e sentir que valeu a pena guardar estes retalhos todos estes anos. 
 acredito que são estes pequenos gestos que podem conduzir-nos a novos caminhos e descobertas. porque todos os pequenos gestos fazem parte de um todo. e se nem sempre percebi, quando o olhar ainda era pequenino, porque a avó guardava todos os retalhos, agora começo a descobrir. mesmo as roupas velhas eram enroladas e amarradas com atilhos. amontoadas num armário, como se pareceriam com embrulhos coloridos! e lembro-me que tentei desembrulhar alguns para ver o que tinham dentro. mas ao desenrolar essas pequenas trouxas descobria em muitas delas, em quase todas elas, apenas peças de roupa fragmentadas. às vezes faltava uma manga. ou faltava um bolso e os enchumaços tinham desaparecido quase todos. estavam reunidos numa gaveta. alguns desses embrulhos pareciam autênticos puzzles. peças de roupa fragmentadas em partes. bastava perceber em que lugar colocar e descobríamos o que tinham sido antes de ali chegar. nesses tempos os retalhos sempre serviam para alguma coisa. talvez isso também tenha passado para mim. talvez por isso também eu guardei os meus retalhos estes anos todos, porque vi a avó e a mãe a guardá-los também. quando o meu olhar ainda era pequenino nem sempre percebi o que os crescidos faziam. mas quando chegar a hora com certeza irei surpreender-me com o que irá nascer destes fragmentos de tecido guardados todos estes anos. e nesse dia vou sorrir e sentir que afinal fazia sentido e que sou igual à avó e à mãe.


03 maio 2015

quando era pequenina...


 quando era pequenina já gostava de gatinhos e este foi o primeiro. mas se esta amizade com os gatos iniciou-se bem cedo, ela estendia-se também a tantos outros bichanos. na casa dos avós eram os cães, os coelhos, as galinhas, os caracóis no jardim e tantos outros insectos simpáticos. e outros bichanos se cruzaram comigo ao longo dos tempos. cedo percebi o respeito e o amor por eles. cresci e continuo a alimentar esse sentimento de respeito e a amor pelos bichos.

01 maio 2015

DESCOBRIDORES I Espectáculo para bébés

continuo em modo Descobridores. os fantoches dos bébés do mundo estão prontos. começam os ensaios... muito trabalho ainda pela frente para continuar a dar forma, cor, alegria a este desafio de criação deste espectáculo para bébés a estriar em Outubro, uma produção da Companhia de Teatro e Marionetas de Mandrágora. aqui partilho os nossos meninos e meninas. 6 lugares. Portugal. Brasil. Angola. Timor. Índia. Macau. 


16 abril 2015

a janela da cidade I BRAGA

 a minha instalação têxtil, "Segue com o olhar o voo livre da andorinha" pode continuar a ser vista nesta janela da cidade de Braga. quer faça sol ou chuva, até dia 26 de abril estará por aqui. uma instalação que simboliza a chegada da Primavera que por estes dias se tem escondido de todos aqui.


15 abril 2015

DESCOBRIDORES I a viagem começa aqui...


 "Cucu! Apresentamos os Descobridores!" Foi dia de trabalho com a Filipa Mesquita, da Companhia de Teatro e Marionetas de Mandrágora. Os nossos meninos e meninas do espectáculo dos DESCOBRIDORES, a estriar em Outubro, começam a experimentar expressões e movimentos, a definirem algumas características suas. 3 Meninos e 3 Meninas. 6 Países. 6 Identidades. O projecto vai ganhando forma, cor, aroma, identidade, movimento... Um Espectáculo para pais e bébés e que estamos a trabalhar para que seja uma excelente experiência em família.


“Existem momentos de partilha e atenção, momentos de criação de laços e afectos. Existem momentos de descoberta, de olhares de aprendizagens. Esses momentos são nossos e todo o mundo por momentos parece abrandar. Vamos à descoberta de novos sons, novos ritmos, um novo tempo, um novo eu. 

Quando os portugueses se aventuraram à descoberta atravessando os mares, encontraram terras maravilhosas e povos extraordinários que lhes eram estranhos, com seres,com cores, com hábitos, culturas e cheiros distintos. 
Serve este preambulo para dar início à construção do espectáculo. O nascimento e os primeiros meses e anos de vida são de constante descoberta, um encontro com seres, hábitos, cheiros sempre novos. 
Este espectáculo é uma viagem de sensações numa nova terra cheia esperanças, sons, imagens onde todos os dias são uma constante descoberta. 
Em 2004 foi criado o primeiro espectáculo para crianças de tenra idade, uma experiência que se foi desenvolvendo e amadurecendo no contacto directo com o público. Ao longo de quase 10 anos esta criação esteve junto das crianças e criaram-se alianças, laços e acima de tudo aprendizagens. 
Agora quase 10 anos passados voltamos a olhar para a criação para bebés. Quando começa a sensibilidade artística? Na nossa opinião, desde o nascimento… 

“DESCOBRIDORES” é um espectáculo de partilha, olhando o mar imaginamos as descobertas, os homens que chegaram aos Açores, ao Brasil, à India e pensamos nas cores, nos cheiros, nos sons, nas criaturas, nas novas sensações que os terão percorrido. Imaginamos que ao nascer, todos os dias, todos os momentos, são momentos de descoberta, onde cada sensação vai deixando uma leve impressão, uma leve marca na nossa forma de ser, de crescer. 

Nascer... chegam pelo mar os descobridores... 
Recebidos pela mãe ilha, viajam pelo embalar dos abraços. Em cada terra nasce um menino, em cada terra nasce uma mãe, em Portugal o galo canta, no Brasil os pássaros voam e a mãe é grande, em África a mãe é chão e é terra, na Índia as mãos e os pés da mãe brilham e agitam-se de sons, em Timor a terra é um crocodilo que nos leva a jogar, na China os dragões saltam e a mãe tem mãos que dançam, tocam e embalam. 
Sonhamos! Terra de cores, cheiros e sons. Uma terra a descobrir com os pais e com aqueles que nos embalam.” 

texto. Filipa Mesquita

o passarinho cantou, às quatro da madrugada...

 é tão bom acordar com o cantar dos pássaros. às vezes tenho a sensação que cantam cada vez mais cedo. mesmo no meu estúdio, no meio da cidade, às vezes fecho os olhos e pelo escutar dos pássaros me julgo no campo. que sorte escutar a natureza na cidade também. 

 para ilustrar este pequeno apontamento partilho esta imagem. a pedido de um amigo, fiz em 2011, uma intervenção no seu chapéu de palha furado. ele também canta como os pássaros. muitas vezes a cantarolar. quer para espantar a tristeza. quer para trazer a alegria. este pequeno desafio trouxe um momento de diversão e alegria. piu-piu. e com a música seguiu ele todo contente com o seu “novo” chapéu de palha: “O passarinho cantou, às quatro da madrugada...”



10 abril 2015

S.Geraldo abre as portas da capela uma vez por ano

 Já vi, algumas vezes, fotografias minhas publicadas na imprensa e em blogs sem que façam menção aos créditos das imagens. Mas existem obviamente excepções. A propósito do Projecto Janela Adentro e o Calendário do Advento, em 2013, uma das janela deste calendário foi habitada pelo padroeiro da cidade de Braga, S.Geraldo. Havia reservado, para esse dia 5 de dezembro, um pequeno texto sobre o milagre de S.Geraldo e algumas imagens que tinha feito desta capela da cidade que só abre uma vez por ano. Decorada com frutas de todas as épocas, a capela assume uma imagem no mínimo peculiar e muito interessante. Do altar, aos postigos das janelas e das portas, frutas de todas as épocas ajudam a decorar todas as peças de arte sacra que o espaço possuiu. Pois bem, não que tenha achado as imagens que fiz extraordinárias, foram no mínimo suficientes para revelar interesse em ilustrar um artigo para a revista INVENIRE - Revista de Bens Culturais da Igreja, nº 10, sobre Museus eclesiasticos e a museologia. E se ficaram curiosos com esta capela já sabem, agora só abre no próximo dia 5 de dezembro. Nesse dia não se atrasem ou correm o risco de ter de esperar mais um ano para a ver!


07 abril 2015

Segue com o Olhar o voo livre da andorinha I EXPOSIÇÃO à JANELA

 Nesta janela da cidade de Braga, a janela que aliás habita o meu estúdio, bem nesta rua onde todos os dias passam dezenas de pessoas. Enquanto algumas erguem o olhar e descobrem esta instalação à janela, outras passam e nem dão por ela existir. "Seguindo com o olhar o voo livre da andorinha", dá nome à peça têxtil que se encontra suspensa no interior desta janela. Depois de ter sido concebida para habitar um Encontro de Arte numa Aldeia do Xisto no Centro de Portugal, eis que regressa ao local onde nasceu, precisamente a este espaço mas desta vez para se mostrar a todos os que passam na rua. Com os primeiros raios de sol ou com o manto negro que cobre cada noite que chega à cidade, são diversos os apontamentos que contam esta história à janela. Até dia 26 de Abril, ao passares na Rua de Santo António, aqui em Braga, levanta o olhar para o primeiro andar desta casa e sorri. 
 E enquanto as andorinhas não chegam à cidade e às beirinhas dos telhados das casas da Praça do Município, nesta janela, aqui estão elas a anunciar que a Primavera chegou.


04 abril 2015

Antes e depois... o coelhinho e a cenoura

 Por estes dias desafiaram-me a "restaurar" um coelhito de pluche com muitos anos de idade e algumas "maleitas" do tempo e de brincadeiras repetidas. Pelas contas feitas, com quase 40 anos, pode-se dizer que apesar da aparência mantém um ar jovial e muito feliz. E como será que a sua Dona irá receber este presente que, tendo já sido oferecido há alguns anos atrás, o irá voltar a receber desta vez depois de uma intervenção cirúrgica realizada num Estúdio transformado por estes dias em Hospital de Bonecos. Não é comum aceitar este género de desafios mas a história deste coelhito é especial e é muito bom fazer parte das histórias de outras pessoas, sobretudo quando nos confiam peças tão especiais para intervirmos livremente com o nosso gosto e carinho. Aqui fica este apontamento do Antes e Depois deste coelhito e a sua cenoura e que hoje recebeu alta e regressou a sua casa mais Feliz.


15 março 2015

"Semeando a terra nas margens do Rio Zêzere"


 “Agricultura Lusitana” dá nome ao mais recente projecto de Craft + Design proposto pela ADXTUR a um grupo diversificado de criadores nacionais. Em Maio, tudo sobre este projecto será revelado na Alemanha, na Eunique - Feira Internacional de Art & Design, em Karlsruhe, onde Portugal é o país convidado. 

 Enquanto criadora na área dos Têxteis Contemporâneos, integrei de novo este fantástico grupo de criadores. Para a concretização deste novo desafio, embora deslocada do território das Aldeias do Xisto, encontrei uma forma de me aproximar deste lugar e assim me inspirar para a criação da minha peça. Viajei até este lugar, através das imagens aéreas deste território adquiridas à distância de um clique. Através dessas imagens reais do território, situadas sobretudo às margens do Rio Zêzere, inspirei-me com os desenhos que fui encontrando dos retalhos de terras cultivadas e que me faziam lembrar aliás as minhas mantas de retalhos. 

 O ano de 2015, iniciou-se assim com uma nova etapa deste projecto e ao longo de dias, no estúdio, continuei ligada à terra, a sentir-me uma espécie de agricultora. Durante os últimos meses acordei com o cantar do galo. Mergulhei sobre a terra. Fresei e semeei os campos, não com as alfaias agrícolas, mas com as minhas ferramentas de trabalho: as mãos, os tecidos, as agulhas e os fios. Com gestos contínuos, persistentes, minuciosos e cuidados, era como se estivesse, eu mesma, a semear também a superfície destas almofada, intituladas Semeando a terra nas margens do Rio Zêzere.